quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
Ama como a estrada começa, Mário? É orientação
que se dê a uma criança, tanto mais
se a criança se encontrar transviada
ou caminhar errante querendo seguir em frente?
Que a estrada não começa, nós é que nela
poderíamos ter um dia começado. Em boa verdade,
e falando agora a título pessoal, sem pretender
generalizar, a estrada é um lugar em andamento
que já passou por mim, parecido
com a minha infância e com versos de Ruy Belo
onde os pássaros pousam e os cães vêm beber.
A estátua do Condottieri, lembras-te? Bronze
transformado em movimento e movimento
em iminência. E nem sequer fiquei a meio
de uma ligação qualquer com a minha vida,
que teima em fazer-me sofrer, embora a paisagem
seja apreciável e as gentes se mostrem
acolhedoras, mas não ao ponto de amar
se converter numa hipótese plausível.
Em vez de escreveres versos destes, mortalmente
correctos, devias ensinar as crianças a amar correctamente.
Ensina-me a mim, que pouco percebo de amar
e aos livros cheguei cedo demais
para cumprir o teu comando. Olham-me de viés,
com desconfiança e vergonha, e escondem-se
debaixo do lençol com que tapávamos os sofás
e o espelho de umas férias para as outras.
Envaidecia-me então o aparo dourado
que me corrigia o que estava mal. Rasurava até
os cadernos romperem como vulgar papel.
E depois foi tudo a correr e tanto
que já não me lembro do princípio e às vezes
parece que até já estamos depois do fim,
quando os espectadores se retiram com as mãos aquecidas
pelos aplausos e vão beber um copo e tudo
se desfaz. Nunca soube como deter o tempo,
incapaz de o transformar numa imagem parada
ou numa vertigem decisiva que me arrastasse
para um vazio diferente deste.
Nunca soube agarrar-me ao tempo, morto
como aquele pistoleiro do filme de aventuras
que a criança não se cansa de ver
apesar de a seguir não conseguir dormir,
uma personagem barata que é atingida em pleno
coração, em pleno saloon, o tiro a ecoar
em gargalhadas e de novo em piano. Falas-me
na tua estrada e encontro apenas um rosário
de recordações alheias. Ao reler o teu poema,
ou te julgo incauto ou concluo que já sabias
e que o imperativo se fez de reserva na passagem
das veias à cabeça. Literatura?
Certo, Mário, é que me levaste ao engano.
E não sei se alguma vez poderei vir a perdoar-te.
José Ricardo Nunes
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
terça-feira, 25 de novembro de 2014
apb agradece
Agradecemos a vossa participação e contributo para a nossa tertúlia comemorativa deste sábado. Agradecemos a amizade e o empenho do Maratona, Casal Figueira,Pachá-Casa Antero, Audiomanias, Forno do Beco, em especial, aos proprietários do Inferno d’Azenha, que nos abriram todas as portas. Da boa mesa que o Alexandre Correia, a Madalena e toda a equipe confeccionaram, dos produtos da quinta da Verde Caldas da Joana Arroz (terão, por certo, reparado nas flores e nas batatinhas roxas que davam uma graça às saladas e outros pratos de comer também com os olhos), aos vinhos excepcionais Casal Figueira (feitos de uma laboriosa recuperação de castas autóctones "Vital"),o Humus, os da Quinta da Abrigada, a selecção da Casa Antéro, o Cabeça de Toiro da Garrafeira Bago d'Douro aos doces da Maria Clara, à tortilha da Concha, aos mimos do Estrelinha,os queijos as azeitonas à conversa do pintor Rocha da Silva, Pedro Ribeiro e do João Serra, e de outros e outras "tertuliantes" que à capela prolongaram o sentido da festa: o João Arroz, a Marta Soares, a Carolina Rito, a Teresa Perdigão e o Gustavo Sumpta (como esquecer essa interrogação sobre parques de estacionamento que tomam conta de pessoas, cidades e centros culturais...). Agradecemos também a todos os outros que, no labor das pequenas tarefas (aos Pedros, Bernardo e Ribeiro e suas famílias, ao Jorge Feijão e à Sara, à Carina e à Luísa, ao João e Gonçalo e tantos outros), tornaram essa noite tão cheia num espaço que resgatámos ao tempo - o Inferno da Azenha - recuperando memórias, centralidades, artistas e convívios, tertuliando em conversas de amigos. E se um dia, quem sabe daqui a quarenta anos, nos perguntarem o que fizemos nesse sábado à chuva de Novembro, pegando nas palavras da Teresa Perdigão, poderemos responder, devolvendo pergunta: tertuliámos, e há lá melhor maneira de passar um serão?
Por isso, passem pelo Museu ou pela Casa Bernardo e participem nas nossas exposições para que continuemos a tertuliar por esses serões que hão-de vir.
Obrigada,
A APB.
terça-feira, 18 de novembro de 2014
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
Porto Seguro | Inferno da Azenha | 22 Novembro `19.30
Esta tertúlia nasce na sequência de mares nunca antes navegados pela Associação Bernardo, que a conduziram a um triângulo estranho de "segurança" social, impostos e salários. Pode parecer estranho, mas trata-se de um mundo novo habitado por seres fantásticos e monstros marinhos. Este cabo será ultrapassado em breve, mas necessitamos de fundos para esta missão, e para novas viagens artísticas. De todos, a contribuição e o apoio para o desenvolvimento das actividades da Associação P Bernardo.
Agradecemos desde já a amizade e o empenho de Maratona, Casal Figueira, Audiomanias e, em especial, dos proprietários do Inferno d’Azenha, que nos abriram todas as portas de par em par.
Agradecemos desde já a amizade e o empenho de Maratona, Casal Figueira, Audiomanias e, em especial, dos proprietários do Inferno d’Azenha, que nos abriram todas as portas de par em par.
As inscrições são limitadas e poderão ser realizadas em:
Audiomanias | A Venda | Pachá | Casa Bernardo
O valor sugerido de participação na tertúlia é de 20€ por pessoa e inclui uma inscrição na Associação P. Bernardo e o que esperamos ser um jantar memorável, não só para o corpo mas em particular para os espíritos.
Inferno d’Azenha
Qta. de Santo António
2500-186 Caldas da Rainha
terça-feira, 11 de novembro de 2014
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
domingo, 5 de outubro de 2014
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
"Colecção Museu Bernardo e +" em Évora
Os Ciclos de São Vicente acolhem uma exposição da Fundação Bernardo (Caldas da Rainha) na Igreja de São Vicente, em Évora, entre 8 de Outubro e 7 de Novembro.
A exposição «Colecção Museu Bernardo e +» reúne uma série de artistas plásticos que de uma maneira ou de outra fazem a ponte entre o centro de experimentação artístico que é a Fundação Bernardo, nas Caldas da Rainha e a cidade de Évora.
Trata-se de um grupo de artistas que vivem, viveram ou trabalham ou trabalharam em Évora, mas que ao mesmo tempo têm cruzado rotineiramente os seus percursos estabelecendo dessa forma profundas cumplicidades reflectidas no papel fundamental que têm desempenhado para a definição dos contornos da Arte Contemporânea em Portugal.
de 8/10 a 7/11
Igreja de São Vicente, Évora
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segunda-feira, 22 de setembro de 2014
terça-feira, 9 de setembro de 2014
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
quarta-feira, 30 de julho de 2014
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